Olhar para a Igualdade

em nosso mundo

11 de dezembro de 2019

Prezados(as) amigos(as) e colegas,

Da ONU: A nova diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, fez seu primeiro discurso à Junta de Coordenação do Programa, refletindo que "ainda estamos em uma jornada" e alertou:  

"A repressão e as restrições às pessoas, aos grupos e às campanhas LGBTI são inaceitáveis. Os jovens estão sendo julgados e punidos por quem são e por quem amam. No UNAIDS, vamos focar na reforma de leis, políticas e práticas e priorizar nosso apoio às populações-chave.” 

O especialista independente sobre orientação sexual e identidade de gênero, Víctor Madrigal-Borloz, visitou a Colômbia para se encontrar com defensores dos direitos humanos na conferência regional da ILGA para a América Latina e o Caribe. Ele elogiou as discussões no âmbito mundial e regional como uma ferramenta para dissipar “narrativas de ódio” que fazem com que as pessoas tenham medo da comunidade LGBTI. Participando da conferência pela primeira vez, ativistas da Martinica, Guadalupe e Guiana, se reuniram com Madrigal-Borloz, para chamar sua atenção para os desafios específicos enfrentados pelos territórios ultramarinos da França.  

Madrigal-Borloz também fez um chamado para contribuições para seu próximo relatório ao Conselho de Direitos Humanos. O foco do relatório serão as práticas da chamada “terapia de conversão” com pessoas LGBT e não binárias em todo o mundo. O relatório visa examinar os diferentes tipos de práticas associadas à terapia de conversão, a legislação e as políticas que existem em relação a elas. O prazo para o recebimento de contribuições é 21 de dezembro.  

No Brasil, o UNAIDS lançou um novo relatório, o “Índice do Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS — Brasil”, baseado em dados de uma pesquisa realizada em sete cidades. O estudo constatou que 64% de todos os entrevistados sofreram alguma forma de discriminação por causa do seu estado sorológico positivo para o HIV. As pessoas LGBT vivendo com HIV continuaram a enfrentar os mais altos níveis de estigma—74,9% dos homens gays/HSH/bissexuais, 62,3% mulheres lésbicas/MSM/bissexuais, e 90,3% das pessoas trans relataram ter sofrido alguma forma de discriminação. O medo de ter a sexualidade exposta fez com que 11,9% dos homens, 13,2% das mulheres e 27,4% das pessoas trans não buscassem os serviços de saúde. 

O PNUD lançou um novo relatório, o “Tolerância sem inclusão”, que avalia as experiências e atitudes em relação às pessoas LGBT na Tailândia. O relatório constatou que a maioria das pessoas LGBT continua enfrentando desafios no acesso à saúde, educação e emprego devido ao estigma. Embora muitas pessoas não LGBT tenham opiniões de aceitação geral da comunidade, muitas também admitem que teriam menos aceitação de uma pessoa LGBT como membro da família, colega de trabalho, colega de sala de aula ou conhecido social. 

O Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos lançou uma versão revisada de “Nascidos Livres e Iguais”— orientações para os Estados Membros sobre as últimas informações relativas aos órgãos de tratados de direitos humanos, procedimentos especiais e leis internacionais de direitos humanos relacionadas aos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e—pela primeira vez—pessoas intersexuais.  

No Dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro), a ONU concedeu à cantora e ícone pop Cyndi Lauper o primeiro Prêmio Nota Máxima Global pela defesa incansável das pessoas LGBT e por sua instituição beneficente True Colors United, que apoia jovens LGBT sem-teto. O prêmio faz parte da Iniciativa Global High Note para valorizar artistas cujas músicas abordam o tema dos direitos humanos. Lauper refletiu

"Ser aliada veio naturalmente para mim. Os direitos LGBT são direitos humanos. Eu não conseguia ficar parada enquanto meus amigos e familiares estavam sendo maltratados. 

Mais sobre a ONU 


HIV, saúde e bem-estar:
Para marcar o Dia Mundial Contra a AIDS, o UNAIDS lançou seu novo relatório “Poder para as pessoas”, que documenta o progresso alcançado quando as comunidades têm capacidade de envolvimento significativo nos esforços voltados para reduzir as novas infecções pelo HIV e as mortes relacionadas à AIDS. A diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, enfatizou que "a forma como as comunidades estão deixando de ser valorizadas tem que mudar": 

"Diante da adversidade, comunidades de gays, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas, se organizaram para reivindicar seu direito à saúde como cidadãos iguais. Portanto, sabemos que as comunidades têm comprovado seu valor. Não há dúvida sobre isso". 

Na Tailândia, a APCM promoveu o prêmio HERO da Ásia-Pacífico 2019, homenageando 10 pessoas e organizações que fizeram contribuições significativas para os direitos e a saúde das pessoas LGBTI e das pessoas vivendo com HIV.  

Journal of General Internal Medicine publicou um dos primeiros estudos a examinar as barreiras à PrEP usando registros do sistema nacional de saúde dos EUA. O estudo constatou que os profissionais de saúde eram a principal razão pela qual os pacientes não conseguiam acessar a PrEP—as atitudes negativas dos profissionais em relação à PrEP, ignorância sobre como ela funciona e falta de entendimento sobre como o sistema de saúde oferece a PrEP. Os pacientes que já eram informados sobre a PrEP e que insistiram em ter acesso a ela, apesar da resistência, foram os mais bem sucedidos em conseguir uma receita para a profilaxia. 

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA anunciou um novo programa chamado Ready, Set, PrEP para disponibilizar a PrEP gratuitamente às pessoas sem plano de saúde em todo o país. Para ser elegível para a PrEP, é preciso obter uma receita médica e fazer o teste de HIV a cada três meses. Estes não são serviços gratuitos e portanto podem ser uma barreira para pessoas sem plano de saúde.   

Hugo Greenhalgh, editor da Reuters Openly, compartilhou como o acesso à PrEP tem impactado a comunidade LGBT

"Já pensei muitas vezes que lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans da minha geração, sofrem de uma forma de transtorno de estresse pós-traumático; nossa saúde mental foi prejudicada coletivamente por décadas de bullying, abuso e desigualdade. A PrEP não vai erradicar isso, é claro. Mas está diminuindo claramente a carga negativa para a próxima geração". 

Enquanto isso, 52 organizações LGBT, de saúde sexual, saúde pública e advocacy em HIV estão chamando a atenção para anúncios factualmente equivocados no Facebook e no Instagram com informações deturpadas sobre a segurança dos medicamentos utilizados para PrEP. Os anúncios, postados por grupos de advogados que atuam na área de danos pessoais, sugerem que a PrEP utilizada para prevenir o HIV causa efeitos colaterais graves. O Facebook ignorou pedidos para remover os anúncios que foram visualizados mais de um milhão de vezes. Em carta aberta, as 52 organizações pediram para o Facebook tomar medidas urgentes e afirmaram que, ao permitir que os anúncios continuem, está "convencendo indivíduos em risco a evitar a PrEP, levando invariavelmente a infecções evitáveis pelo HIV. Vocês estão prejudicando a saúde pública.”  
 Na Indonésia, o Jakarta Post entrevistou ativistas sobre como o crescente fundamentalismo religioso, a polarização e a intolerância contra as pessoas LGBT+ estão aumentando as taxas de HIV

DW News entrevistou o “Rei dos Preservativos” do Quênia, Stanley Ngara, que passa pelas ruas fazendo demonstrações para ensinar a comunidade sobre preservativos e prevenção do HIV. Confira o vídeo! 

Mais sobre HIV, saúde e bem-estar

 

Do Mundo da Política: A Câmara Alta do Parlamento da Índia (a Rajya Sabha) votou a favor da aprovação do Projeto de Lei das Pessoas Transgênero (Lei de Proteção de Direitos) 2019. O projeto se tornará lei se for aprovada pelo Presidente Ram Nath Kovind. Embora aparentemente o projeto vise garantir a não-discriminação contra as pessoas trans na educação, saúde e emprego, integrantes da comunidade têm se oposto vigorosamente ao projeto. Entre as principais queixas: definições deficientes de quem o projeto de lei protege, redação ambígua que, segundo ativistas, pode ser usada contra indivíduos trans e intersexo, e a falta de quaisquer obrigações vinculantes para garantir que as pessoas sejam protegidas. O projeto de lei reduz ainda mais os direitos que as pessoas trans têm atualmente, incluindo o direito à autodeterminação de gênero sem intervenção médica.  

Também na Índia, um novo relatório da empresa de consultoria Dalberg descobriu que uma estimativa de 102 milhões de pessoas não têm a ID Aadhaar—o sistema nacional de identidade digital biométrica. Entre os que ficam de fora do sistema estão mais de 25% dos cidadãos do terceiro gênero e 30% da população sem-teto. A Aadhaar é obrigatória para acessar muitos serviços no país, incluindo contas bancárias, cartões SIM e escolas. 

Na Austrália, o parlamento estadual do Território do Norte votou a favor do Projeto de Lei da Indústria do Sexo de 2019 para descriminalizar o trabalho sexual.  Enquanto isso, o parlamento estadual da Austrália do Sul votou contra a descriminalização.  E o estado de Victoria, que descriminalizou o trabalho sexual em 1986, anunciou que realizará uma revisão completa das leis que regulam o setor, incluindo a segurança no local de trabalho, o estigma, a economia do trabalho temporário (gig) e a atividade criminosa dentro do setor. O UNAIDS elogiou o Território do Norte por defender os direitos das trabalhadoras do sexo e permitir que "operem dentro das leis e regulamentos existentes". 

Também na Austrália, o primeiro ministro Scott Morrison anunciou que a tão esperada Lei da Liberdade Religiosa não será votada este ano. Morrison disse que está sendo preparada uma nova versão que contempla os muitos comentários apresentados por indivíduos, grupos religiosos, grupos de advocacy e outras organizações. A versão anterior foi condenada por alguns por colocar os direitos religiosos acima de outros direitos e por sobrepor-se a todas as outras leis federais e estaduais contra discriminação. Já alguns grupos religiosos acreditavam que o projeto não proporcionava proteção suficiente às pessoas de fé. Houve grupos de ambos os lados que ficaram felizes com o adiamento. Uma pesquisa nacional recente revelou que 64% dos entrevistados não acreditam que os grupos religiosos deveriam ser autorizados a discriminar os funcionários LGBT. 

Nos EUA, alguns legisladores republicanos propuseram a Fairness For All Act (Lei da Justiça para Todos), que tenta equilibrar os direitos LGBTQ com a liberdade religiosa. O projeto de lei concederia algumas proteções para a população LGBTQ, mas permitiria que organizações religiosas, serviços para casamentos e empresas com menos de 15 funcionários discriminassem as pessoas LGBTQ, segundo noticiado pela AP, pelo Washington Blade e outras fontes. Grupos nacionais de defesa de direitos se manifestaram contra o projeto de lei. É improvável que o projeto seja aprovado, pois os democratas apoiam a Equality Act (Lei da Igualdade), que não prevê exclusões. 

Na Guiana, um grupo de líderes cristãos lançou um novo partido político chamado "The People's Republic Party" – PRP (Partido da República do Povo). A candidata presidencial do partido, Dra. Valerie Leung, prometeu acabar com a corrupção. Entre os outros tópicos discutidos, Leung condenou o "estilo de vida" das pessoas LGBTQ e declarou que são “pessoas perturbadas” que precisam de ajuda.  

O Ministério de Assuntos Internos da Uganda anunciou que concluiu uma investigação de organizações não governamentais registradas. Após a análise, 12.089 organizações foram retiradas do cadastro e informadas que devem cessar as operações imediatamente. Dr. Frank Mugisha, diretor da organização “Minorias Sexuais da Uganda”, disse que seu grupo e outros grupos de direitos LGBT perderam o registro, embora pretendam contestar a decisão. A retirada do cadastro ocorre num momento em que tensões sobre os direitos LGBT continuam sendo altas. 

Mais sobre o Mundo da política 

 

A Política e o casamento: No Japão, o município de Yokohama começou a emitir certidões de reconhecimento de casais do mesmo sexo, o que permitirá que possam se candidatar à habitação popular enquanto famílias. Algumas outras áreas, incluindo partes de Tóquio, SapporoFukuoka e Osaka, também emitem certidões de reconhecimento de casais do mesmo sexo, embora não confiram quaisquer direitos ou proteções. Uma pesquisa recente mostrou que quase 80% dos japoneses com menos de 60 anos apoiam o casamento igualitário— um aumento acentuado no apoio em comparação há alguns anos. Haru Ono e sua parceira são um dos seis casais que entraram com ações judiciais pedindo o direito de se casar no último Dia dos Namorados:  

principal razão pela qual pensei que tinha de participar neste processo foi porque queria mostrar aos meus filhos que sermos uma família é uma coisa legal. Quando estamos em casa, somos naturalmente uma família, mas quando saímos, há momentos em que somos tratados como se não fôssemos.” 

Na Tailândia, um casal de lésbicas com apoio da Foundation for SOGI Rights and Justice (FOR-SOGI) entrou com ação na Corte Constitucional para contestar as disposições do Código Civil que restringem a igualdade no casamento.  

Na China, os legisladores vêm aceitando opiniões da população sobre uma proposta de emenda do Código Civil que trata do casamento e da família. Após um mês de esforços da sociedade civil, o South China Morning Post noticiou que mais de 190 mil opiniões foram apresentadas a favor do reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, o Parlamento já anunciou em agosto que não vai considerar a inclusão do casamento entre pessoas do mesmo sexo no novo Código Civil.  

Conselho Nacional de Mônaco aprovou um projeto de lei que permite que os casais que vivem em união estável possam requerer o registro da união civil. O Conselho observou que o projeto de lei não se destina a "competir" com o casamento e não vai conceder quaisquer direitos à adoção. 

Mais sobre a Política e o casamento  

 

Que os tribunais decidam: O Supremo Tribunal de Apelações da África do Sul  decidiu ser inconstitucional uma seção da Lei da Igualdade que trata da proibição do discurso de ódio, afirmando que é “vaga” e “demasiado ampla”. O juiz Mahomed Navsa deu um prazo de 18 meses para o parlamento deixar a redação mais clara. Em sua decisão Navsa acrescentou: 

"Eu reconheço a ameaça à vida, à integridade física e mental que os membros da comunidade LGBTI enfrentam. Terei o cuidado de elaborar um remédio para garantir que não fiquem desprotegidos". 

Na Zâmbia, o juiz Charles Zulu condenou dois homens a 15 anos de prisão por terem tido relações sexuais em 2017. Eles foram presos depois que um funcionário do hotel supostamente os viu através de uma janela aberta. A condenação deu início a uma polêmica entre o embaixador dos EUA na Zâmbia, Daniel Foote, e o presidente da Zâmbia, Edgar Chaga Lunga. Foote se manifestou contra a pena severa. O presidente Lunga disse que pode considerar uma pena mais curta, mas não vai aceitar a revogação da lei

Na Malásia, dois turistas vietnamitas suspeitos de formarem um casal gay foram condenados por participarem de um "ato imoral" depois que as autoridades de Imigração do Estado os prenderam no quarto do hotel onde estavam hospedados. 

Os 47 homens nigerianos presos no ano passado, durante uma batida policial em um hotel, sob a acusação de terem praticado “relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo, se declararam inocentes e foram libertados sob fiança. Os homens dizem que estavam participando de uma festa de aniversário quando o hotel foi invadido. O ativista Xeenarh Mohammed, diretor executivo da Iniciativa pela Igualdade de Direitos (TIERS) em Lagos, disse que a legislação é vaga e configura uma forma de assédio. 

Uma mulher trans japonesa está contestando uma lei especial que impede que as pessoas retifiquem oficialmente o gênero se tiverem filhos menores de idade.  

Na Colômbia, 40 advogados de direitos humanos de toda a América Latina lançaram a  “Red Litigio LGBT”— uma rede de litigância para garantir os direitos das pessoas LGBT na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela. 

Mais sobre os Tribunais 

 

Sobre a religião: A Igreja Anglicana lançou uma nova diretriz— "Educação sobre Relacionamentos, Educação sobre Relacionamentos e Sexualidade (RSE) e Educação sobre Saúde (RSHE) Inclusiva e Sensível às Convicções Religiosas" —para ajudar todas as suas escolas a estarem em conformidade com a Lei de Igualdade do Reino Unido. As escolas no Reino Unido são obrigadas a atualizar os currículos de educação sexual, saúde e relacionamento até setembro de 2020.  

Nos EUA, algumas dioceses católicas do Texas e da Pensilvânia entraram com ações judiciais contra normas que impedem a discriminação contra casais LGBT por serviços de adoção e apadrinhamento, informou o New Ways Ministry. Enquanto isso, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA elogiou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos pelas mudanças propostas que permitirão que serviços pertencentes a entidades religiosas possam se recusar a atender  indivíduos que não sigam as crenças religiosas da entidade.  

Brian Cahill, diretor executivo aposentado da San Francisco Catholic Charitiescondenou os bispos dos EUA por não defenderem os direitos LGBT. Afirmou que abandonaram "milhares de crianças pobres e necessitadas, e ignoraram a realidade de que a maior parte dos pais adotivos em potencial, para as crianças mais desafiadoras e problemáticas no sistema de acolhimento, é composta por casais do mesmo sexo comprometidos que querem criar uma família". 

No novo livro “Becoming Eve: My Journey from Ultra-Orthodox Rabbi to Transgender Woman” (Tornando-me Eva: minha passagem de rabino ultraortodoxo para mulher trans), a ativista Abby Stein descreveu como foi este processo junto ao seu pai e à comunidade hassídica. Embora tenha sido difícil, ela valoriza o fato de ter conseguido que seu pai admitisse que as pessoas trans existem. E enquanto houver transfobia:  

"Eu percebi que geralmente não é religião, e não é Deus. São as pessoas e a cultura, por isso foi um grande problema para meu pai". 

Mais sobre Religião

 

Medo e ódio: A ILGA divulgou o relatório Homofobia do Estado, edição de 2019, que analisa a legislação que impacta as pessoas em todo o mundo devido à sua orientação sexual. O relatório observa que houve progresso significativo em muitas áreas, incluindo uma expansão do casamento igualitário e novas proteções contra a discriminação. No entanto, também alerta que o ativismo contra a homofobia precisa continuar: 

"Há uma revitalização muito notável das campanhas para retroceder com nossas duras lutas e vitórias pela igualdade nos direitos humanos com os Estados e suas jurisdições legais

O escritório da ONU em El Salvador divulgou uma nota pedindo às autoridades que investiguem o aumento de crimes de ódio contra a comunidade LGBTI. Afirma que medidas urgentes são necessárias para punir os perpetradores e prevenir novos atos de violência. Pelo menos três mulheres trans e um homem gay foram encontrados assassinados durante um período de quatro semanas. Roberto Zapata, secretário geral do grupo de advocacy AMATE El Salvador, alertou que o órgão governamental responsável por enfrentar a discriminação contra LGBTI foi incorporado no Ministério da Cultura em junho. Posteriormente: 

"As novas autoridades não têm como prioridade a justiça ou o julgamento destes casos... Este novo governo está completamente silencioso.” 

Na Alemanha, a polícia de Berlim informou que nos primeiros nove meses de 2019 houve um aumento de 42% nos ataques contra pessoas LGBT em comparação com o ano de 2018 inteiro. A chefe de polícia, Barbara Slowik, culpou "uma crescente polarização da sociedade". 

No Haiti, um dos principais ativistas LGBT+, Jeudy Charlot, foi encontrado morto em casa. Charlot havia sido alvo de várias ameaças anônimas nos meses que antecederam sua morte, mas optou por continuar seu trabalho. O amigo e colega Neish McLean explicou: 

"Como ativistas, não focamos tanto no perigo. Sabemos que nem todos nós podemos fugir dos nossos países à busca de segurança em outros lugares. Alguns de nós tem que ficar aqui para fazer este trabalho difícil. Por isso, focamos no trabalho". 

Da Turquia, o jornal Karınca entrevistou a Associação da Sociedade Civil (CİSST) sobre as incessantes violações dos direitos humanos enfrentadas pelos prisioneiros na Turquia. Observam que mulheres trans e presos doentes são particularmente vulneráveis a abusos no sistema.  

Estudando sobre a África do Sul, o Williams Institute lançou um novo relatório sobre o custo econômico do estigma e da discriminação contra pessoas LGBT. Estima-se que a discriminação salarial e o subemprego de pessoas LGBT custam mais de US$ 316 milhões por ano. Estima-se também que o custo das disparidades de saúde vivenciadas pelas pessoas LGBT pode chegar a US$ 19,5 bilhões.  

Escrevendo para a openDemocracy, Diana Cariboni investigou os grupos de lobby ultraconservadores que estão pressionando o sistema interamericano de direitos humanos a se opor aos direitos sexuais e reprodutivos. Como descreveu o advogado peruano de direitos humanos, Pedro Calvay Torres: 

"É uma questão nova que a sociedade civil, historicamente comprometida com o fortalecimento e a defesa do sistema, agora está exigindo mudanças contra as perspectivas de gênero, às pessoas LGBTIQ e os direitos reprodutivos. A estratégia tem o propósito de enfraquecer a capacidade do sistema de exigir padrões de proteção.” 

Mais sobre Medo e ódio  

 

Medo e ódio: A ILGA divulgou o relatório Homofobia do Estado, edição de 2019, que analisa a legislação que impacta as pessoas em todo o mundo devido à sua orientação sexual. O relatório observa que houve progresso significativo em muitas áreas, incluindo uma expansão do casamento igualitário e novas proteções contra a discriminação. No entanto, também alerta que o ativismo contra a homofobia precisa continuar: 

"Há uma revitalização muito notável das campanhas para retroceder com nossas duras lutas e vitórias pela igualdade nos direitos humanos com os Estados e suas jurisdições legais

O escritório da ONU em El Salvador divulgou uma nota pedindo às autoridades que investiguem o aumento de crimes de ódio contra a comunidade LGBTI. Afirma que medidas urgentes são necessárias para punir os perpetradores e prevenir novos atos de violência. Pelo menos três mulheres trans e um homem gay foram encontrados assassinados durante um período de quatro semanas. Roberto Zapata, secretário geral do grupo de advocacy AMATE El Salvador, alertou que o órgão governamental responsável por enfrentar a discriminação contra LGBTI foi incorporado no Ministério da Cultura em junho. Posteriormente: 

"As novas autoridades não têm como prioridade a justiça ou o julgamento destes casos... Este novo governo está completamente silencioso.” 

Na Alemanha, a polícia de Berlim informou que nos primeiros nove meses de 2019 houve um aumento de 42% nos ataques contra pessoas LGBT em comparação com o ano de 2018 inteiro. A chefe de polícia, Barbara Slowik, culpou "uma crescente polarização da sociedade". 

No Haiti, um dos principais ativistas LGBT+, Jeudy Charlot, foi encontrado morto em casa. Charlot havia sido alvo de várias ameaças anônimas nos meses que antecederam sua morte, mas optou por continuar seu trabalho. O amigo e colega Neish McLean explicou: 

"Como ativistas, não focamos tanto no perigo. Sabemos que nem todos nós podemos fugir dos nossos países à busca de segurança em outros lugares. Alguns de nós tem que ficar aqui para fazer este trabalho difícil. Por isso, focamos no trabalho". 

Da Turquia, o jornal Karınca entrevistou a Associação da Sociedade Civil (CİSST) sobre as incessantes violações dos direitos humanos enfrentadas pelos prisioneiros na Turquia. Observam que mulheres trans e presos doentes são particularmente vulneráveis a abusos no sistema.  

Estudando sobre a África do Sul, o Williams Institute lançou um novo relatório sobre o custo econômico do estigma e da discriminação contra pessoas LGBT. Estima-se que a discriminação salarial e o subemprego de pessoas LGBT custam mais de US$ 316 milhões por ano. Estima-se também que o custo das disparidades de saúde vivenciadas pelas pessoas LGBT pode chegar a US$ 19,5 bilhões.  

Escrevendo para a openDemocracy, Diana Cariboni investigou os grupos de lobby ultraconservadores que estão pressionando o sistema interamericano de direitos humanos a se opor aos direitos sexuais e reprodutivos. Como descreveu o advogado peruano de direitos humanos, Pedro Calvay Torres: 

"É uma questão nova que a sociedade civil, historicamente comprometida com o fortalecimento e a defesa do sistema, agora está exigindo mudanças contra as perspectivas de gênero, às pessoas LGBTIQ e os direitos reprodutivos. A estratégia tem o propósito de enfraquecer a capacidade do sistema de exigir padrões de proteção.” 

Mais sobre Medo e ódio  

 

Comércio e tecnologia: Um estudo da Universidade de Colorado Boulder nos EUA descobriu que os serviços de reconhecimento facial deixam de reconhecer com frequência as pessoas trans e não binárias. O pesquisador Morgan Klaus Scheuerman observou que os sistemas reforçam estereótipos ultrapassados de como a aparência da pessoa "deve" ser. Os serviços de reconhecimento facial já foram criticados anteriormente por preconceito racial significativo. A utilização dessas tecnologias tem provocado debates, mesmo quando governos em vários países do mundo se organizam rapidamente para adotá-las. Tre'Andre Valentine, diretor executivo da coalizão política trans chamada Massachusetts Transgender Political Coalition, alertou: 

Não podemos permitir que a tecnologia seja utilizada em áreas como serviços governamentais, policiamento ou controle de fronteiras se ela excluir e alienar ou de outra forma ignorar uma classe inteira de pessoas. Infelizmente, na ausência de regulamentação, é exatamente isso que está acontecendo.” 

Quatro ex-funcionários da Google se manifestaram para contestar a escalada da empresa contra os funcionários que criticam suas políticas corporativas. Os funcionários, que foram demitidos durante o feriado de Ação de Graças nos EUA, estiveram envolvidos em protestos sobre assédio sexual, discriminação e benefícios para funcionários LGBT. Sophie Waldman, uma engenheira de software demitida, comentou que as decisões éticas da empresa têm impacto especial nas pessoas LGBTQ 

"Desde o início, as pessoas queer e trans na Google se uniram para garantir que tivéssemos ótimos benefícios e uma comunidade forte. Muitos de nós sentimos muito diretamente que somos nós e pessoas como nós que estão em jogo.” 

Uma investigação pelo site alemão NetzPolitik.org descobriu que a badalada plataforma de mídia social TikTok tem censurado vídeos de pessoas com deficiência, pessoas com excesso de peso e pessoas LGBTQ. A empresa, sediada fora da China, afirmou que os vídeos foram restritos para evitar o bullying na plataforma. Alega que as políticas foram atualizadas para serem "políticas antibullying mais matizadas".  

A MPACT - Ação Global pela Saúde e Direitos dos Gays, lançou dois novos vídeos para ajudar a proteger os ativistas e seu trabalho: um guia de segurança física e um guia de segurança digital. Os guias incluem dicas sobre computadores, telefones, vigilância e proteção de dados.  

Mais sobre Comércio e tecnologia 

 

Esportes e cultura: Neste final do ano, a escritora Sarah Neilson recomenda 15 livros despercebidos de não-ficção, ficção e poesia que abordam temas queer. O escritor Roberto Igual analisa três novos livros queer sul-africanos, incluindo a autobiografia da cantora e artista Nataniël, a coleção de contos "They Called Me Queer" de escritores africanos LGBTQIA+ e a coleção de contos gráficos "Meanwhile" de artistas da África Austral e Oriental.  

O Oscar cinematográfico vem recebendo uma série de candidaturas oficiais para a categoria de Melhor Língua Estrangeira, explorando temas como sexo, discriminação e aceitação. Para citar alguns: o Yo Imposible (Eu Impossível), da Venezuela, está centrado em torno de uma mulher que descobre que é intersexo e que foi submetida a cirurgias quando criança. Tu Me Manques ("Tenho saudade de você"), da Bolívia, é uma história muito triste de um homem no processo de aceitar a morte de seu filho gay. O panamenho Todos Cambiamos ("Todos nós mudamos") é um drama sobre uma família quando um dos pais se assume transgênero. Confira os trailers! 

Mais sobre Esportes e cultura 

  • Leia mais sobre o 'Olhar para a Igualdade' aqui.

Olhar para a Iguardade (Equal Eyes) é compilado por Christina Dideriksen e Richard Burzynski. A tradução para o português é de responsabilidade do UNAIDS Brasil. As opiniões aqui apresentadas não necessariamente representam o posicionamento do UNAIDS ou de seus Copatrocinadores.

 

Todas as matérias e fotografias com links nesta publicação são de propriedade dos editores originais.
Equal Eyes Copyright © 2017 Richard Burzynski, Todos os direitos reservados.

 

Conheça as edições originais do boletim, em inglês: equal-eyes.org

Endereço para correspondência:
UNAIDS
20 Av Appia
Geneve, Ge 1200